Rodovias, ferrovias e portos concentraram 31,1% de todo o volume de debêntures incentivadas emitido no país em doze meses, com fundos de investimento ampliando participação nas ofertas mais recentes
Entre os diferentes segmentos que compõem o universo das debêntures incentivadas de infraestrutura, o setor de transporte e logística se consolidou como o de maior representatividade dentro do mercado de capitais brasileiro. Em fevereiro, esse segmento respondeu por R$ 7,6 bilhões de um total de R$ 12,8 bilhões emitidos no mês, o equivalente a praticamente 60% de todas as ofertas do período. No acumulado de doze meses, as emissões do setor somaram R$ 47,4 bilhões, o que representa 31,1% de todo o mercado de debêntures incentivadas, com volume mensal de captação superior a R$ 6,5 bilhões de forma consistente nos meses mais recentes.
Esse protagonismo reflete a natureza intensiva em capital de projetos de rodovias, ferrovias, portos e terminais logísticos, empreendimentos que exigem investimentos de longo prazo e que, historicamente, dependeram fortemente de financiamento bancário e de bancos públicos de desenvolvimento. A consolidação das debêntures incentivadas como fonte relevante de funding para esses projetos amplia as alternativas de captação disponíveis para concessionárias e operadoras do setor, ao mesmo tempo em que oferece a investidores institucionais e de varejo acesso a ativos de longo prazo com benefícios fiscais previstos em lei.
Apetite de fundos de investimento por infraestrutura volta a crescer
Um dos sinais mais relevantes observados recentemente nesse mercado foi o salto na participação de fundos de investimento como compradores das novas emissões, que passou de 7,8% em janeiro para 26,4% em fevereiro. Esse movimento indica uma retomada do apetite de gestoras especializadas em crédito privado e infraestrutura por esse tipo de ativo, em um contexto no qual o mercado secundário de debêntures incentivadas também tem registrado volume de negociação consistentemente acima da média histórica, com giro mensal em torno de R$ 25,4 bilhões, ante uma média de três anos próxima a R$ 14,7 bilhões.
Para Paulo Viesti, diretor da ID CTVM, a retomada do interesse de fundos de investimento por esse segmento reforça a relevância de uma infraestrutura fiduciária preparada para acompanhar projetos de longa maturação:
“Projetos de transporte e logística têm ciclos de maturação que se estendem por muitos anos, o que exige do administrador fiduciário um acompanhamento diferente do aplicado a operações de crédito privado de prazo mais curto. É preciso entender os marcos contratuais de cada concessão, acompanhar o cronograma de obras e verificar continuamente se as garantias vinculadas à operação permanecem íntegras ao longo de todo esse período. Quando o apetite de investidores institucionais volta a crescer, como temos observado recentemente, a exigência sobre a qualidade dessa governança aumenta na mesma proporção”.
A ID CTVM atua na administração fiduciária e custódia de operações estruturadas vinculadas a projetos de infraestrutura de transporte e logística, o que inclui o acompanhamento de covenants específicos de cada concessão e a validação de garantias associadas aos empreendimentos financiados.
Concentração entre poucos emissores de grande porte
O mercado de debêntures incentivadas de transporte e logística ainda apresenta concentração relevante entre um número relativamente restrito de grandes emissores, com companhias de grande porte respondendo por volumes anuais que ultrapassam a casa de R$ 1 bilhão cada. Essa concentração reflete a própria natureza do setor, no qual grandes concessões de infraestrutura costumam estar nas mãos de um número limitado de operadoras com escala suficiente para acessar o mercado de capitais em condições competitivas.
Para administradores fiduciários e gestoras que buscam diversificar sua exposição ao setor, esse cenário de concentração reforça a importância de acompanhar de perto o surgimento de novos emissores de menor porte, à medida que o amadurecimento do mercado e a consolidação de instrumentos como o próprio Marco de Garantias ampliam gradualmente o acesso de operadoras regionais e projetos de menor escala ao financiamento via debêntures incentivadas.
Liquidez secundária reforça atratividade do instrumento
O volume elevado de negociação no mercado secundário de debêntures de transporte e logística também contribui para a atratividade do instrumento entre investidores que buscam alguma flexibilidade de saída antes do vencimento final dos papéis, característica especialmente valorizada por fundos que precisam equilibrar posições de longo prazo com necessidades pontuais de liquidez em suas carteiras.
Perspectivas para a continuidade do ciclo de investimento
Com o setor de transporte e logística mantendo posição de liderança no mercado de debêntures incentivadas e o apetite de fundos de investimento em recuperação, a expectativa é que projetos de infraestrutura viária, ferroviária e portuária continuem representando parcela relevante do financiamento privado de longo prazo no Brasil. Nesse cenário, a capacidade de administradores fiduciários de sustentar governança robusta ao longo de operações com horizontes de maturação estendidos deve seguir como fator determinante para atrair e manter o interesse de investidores institucionais nesse segmento estratégico da infraestrutura nacional.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

