Existe uma capacidade fisiológica pouco discutida fora dos círculos acadêmicos que ajuda a explicar por que algumas pessoas mantêm energia estável ao longo do dia, enquanto outras vivem entre picos de fome e quedas bruscas de disposição. Lucas Peralles, nutricionista esportivo e fundador do Método LP, chama essa capacidade de inteligência metabólica, conceito cientificamente conhecido como flexibilidade metabólica, que descreve a habilidade do corpo de alternar eficientemente entre gordura e carboidrato como fonte de energia, conforme a disponibilidade de cada substrato.
Estudos recentes publicados em periódicos de fisiologia descrevem essa flexibilidade como um dos marcadores mais confiáveis de saúde metabólica, associando sua ausência a condições como obesidade e diabetes tipo dois. Diante desse panorama, compreender como estimular essa capacidade de adaptação se torna tão relevante quanto qualquer estratégia isolada de contagem calórica, já que corpos metabolicamente flexíveis tendem a responder de forma muito mais eficiente a mudanças na alimentação e no treino.
Como o corpo decide qual combustível utilizar a cada momento?
Em jejum, o organismo prioriza naturalmente a queima de gordura como fonte de energia, enquanto, após uma refeição rica em carboidrato, o corpo alterna rapidamente para utilizar glicose como substrato principal. Pesquisadores avaliam essa capacidade de transição observando alterações na proporção de gases respiratórios durante testes específicos, identificando o quanto o metabolismo consegue se ajustar entre esses dois estados ao longo do dia.
Curiosamente, estudos recentes mostram que pessoas com obesidade e resistência à insulina frequentemente apresentam dificuldade de realizar essa troca de forma eficiente, permanecendo presas a um padrão metabólico mais rígido, incapaz de aumentar adequadamente a queima de gordura mesmo diante de jejum ou de dietas com menor teor de carboidrato. Segundo Lucas Peralles, esse padrão de inflexibilidade metabólica explica por que alguns pacientes relatam sensação constante de fadiga e fome, mesmo consumindo quantidade adequada de calorias, um fenômeno investigado com atenção durante as avaliações realizadas na Clínica Peralles.
Por que algumas pessoas parecem ter mais facilidade para alternar entre queima de gordura e carboidrato?
Fatores como composição da dieta habitual, nível de atividade física e sensibilidade à insulina influenciam diretamente a qualidade dessa flexibilidade metabólica. Um estudo comparando populações com padrões alimentares distintos identificou que dietas de melhor qualidade nutricional, ainda que variando na proporção de carboidrato consumido, favoreciam maior capacidade de oxidação de carboidrato e melhor flexibilidade geral, quando comparadas a padrões alimentares mais desequilibrados.

Ao mesmo tempo, o treinamento físico regular aparece consistentemente na literatura como um dos estímulos mais eficazes para melhorar essa capacidade de adaptação, já que o exercício aumenta a demanda energética muscular e força o organismo a se tornar mais eficiente na utilização de diferentes substratos. Dentre o que expressa Lucas Peralles, essa é uma das razões pelas quais o Método LP nunca trata treino e nutrição como pilares separados, já que a combinação entre ambos é justamente o que constrói essa inteligência metabólica ao longo do tempo, um princípio central aplicado na prática clínica da Clínica Peralles.
Essa flexibilidade pode ser medida ou apenas percebida indiretamente?
Embora existam métodos laboratoriais sofisticados para avaliar diretamente a flexibilidade metabólica, como calorimetria indireta durante testes de esforço, esse tipo de avaliação ainda é pouco acessível na prática clínica cotidiana. Isso não significa que sinais indiretos não possam ser observados, já que pacientes com maior flexibilidade metabólica costumam relatar menos episódios de fome extrema, energia mais estável ao longo do dia e melhor tolerância a variações pontuais na alimentação.
Lucas Peralles ressalta que esse detalhe frequentemente ignorado ajuda a explicar por que dois pacientes com composição corporal semelhante podem responder de forma completamente diferente à mesma estratégia nutricional, um sinal de que a qualidade metabólica de cada organismo, e não apenas o peso na balança, determina boa parte do sucesso de qualquer intervenção alimentar realizada na Clínica Peralles.
Como transformar esse conhecimento em estratégia prática de emagrecimento e performance?
Compreender a flexibilidade metabólica como objetivo central, e não apenas como conceito acadêmico distante, muda a forma de planejar tanto a alimentação quanto o treino de qualquer pessoa interessada em saúde duradoura. Isso envolve incluir períodos estratégicos de jejum, variar moderadamente a proporção de carboidrato conforme a fase de treino e manter a atividade física como parte indispensável da rotina, e não apenas como complemento estético.
Para o fundador do Método LP, desenvolver essa inteligência metabólica é um dos objetivos mais valiosos de qualquer acompanhamento nutricional sério. Lucas Peralles indica ainda que um corpo capaz de alternar eficientemente entre diferentes fontes de energia tende a responder melhor a praticamente qualquer estratégia futura de recomposição corporal, o que reforça, na prática da Clínica Peralles, a importância de investir tempo em construir essa capacidade metabólica antes de qualquer intervenção mais restritiva.

