Daugliesi Giacomasi Souza, Fundadora da DGdecor, observa com frequência que a arquitetura vai muito além da estética: ela é também um agente econômico de grande alcance. No Sul da Itália, essa afirmação ganha contornos concretos e mensuráveis. Regiões como Basilicata, Puglia e Campania transformaram seu patrimônio construído em um dos principais vetores de desenvolvimento local, atraindo visitantes do mundo inteiro dispostos a vivenciar paisagens urbanas que o tempo preservou com generosidade.
Este artigo analisa como o turismo arquitetônico atua como motor econômico nessa parte do país, quais são os fatores que sustentam esse crescimento e de que forma essa dinâmica pode inspirar uma nova visão sobre o valor do patrimônio histórico.
Por que o patrimônio arquitetônico do Sul da Itália atrai tantos visitantes?
Cidades como Matera, Lecce, Alberobello e Nápoles oferecem ao visitante camadas sobrepostas de civilizações que deixaram marcas profundas na arquitetura local. Para Daugliesi Giacomasi Souza, esse acúmulo de influências entre as gregas, romanas, normandas, barrocas e árabes, criam uma diversidade visual que funciona como um atrativo natural para quem busca experiências culturais autênticas.
Além da diversidade histórica, o Sul italiano possui algo que poucos destinos conseguem oferecer: a preservação de uma escala humana. Vielas estreitas, praças sombreadas e igrejas que dominam o horizonte urbano formam ambientes que convidam à contemplação e ao deslocamento a pé. Essa experiência sensorial é cada vez mais valorizada por um perfil de turista que prioriza profundidade em vez de entretenimento superficial.
Como o turismo arquitetônico gera renda e desenvolvimento local?
A chegada de visitantes movimenta setores como hotelaria, gastronomia, comércio artesanal e serviços culturais, gerando emprego e renda em localidades que, historicamente, enfrentaram altos índices de emigração. Matera, por exemplo, registrou crescimento expressivo no número de estabelecimentos de hospedagem nos anos seguintes ao título de Capital Europeia da Cultura, em 2019.

Esse fenômeno revela uma lição importante, informa Daugliesi Giacomasi Souza, que investir na preservação do patrimônio construído não é um custo cultural, mas uma estratégia econômica de longo prazo. Quando uma cidade cuida de sua arquitetura histórica, ela está, na prática, fortalecendo sua capacidade de gerar riqueza de forma sustentável, sem depender de recursos naturais esgotáveis nem de infraestruturas industriais de alto custo.
Qual é o papel do design e da curadoria espacial nesse processo?
A valorização turística de um centro histórico não acontece de forma espontânea. Ela exige um trabalho cuidadoso de curadoria espacial, que inclui a restauração de fachadas, a qualificação dos espaços públicos e a criação de uma experiência coerente para o visitante. É nesse ponto que o design de interiores e a arquitetura contemporânea encontram uma função social relevante para adaptar edifícios históricos aos usos turísticos sem comprometer sua autenticidade.
Daugliesi Giacomasi Souza, ao pensar projetos que dialogam com memória e identidade, ressalta que a intervenção bem-feita em um espaço histórico potencializa, e não apaga, o valor original do lugar. Hotéis boutique instalados em palacetes do século XVIII, restaurantes em antigas adegas e espaços culturais em igrejas desativadas são exemplos dessa equação bem resolvida, presente em diversas cidades do Sul italiano.
De que forma essa experiência pode inspirar outros territórios?
O modelo do Sul da Itália oferece uma referência valiosa para regiões que possuem patrimônio histórico relevante, mas ainda não desenvolveram uma estratégia turística consistente. O ponto central dessa experiência é compreender que a arquitetura é um recurso renovável, quando bem preservado, capaz de gerar valor econômico de forma contínua sem se deteriorar pelo uso.
Segundo a perspectiva de Daugliesi Giacomasi Souza como fundadora da DGdecor, o olhar qualificado sobre o espaço construído é o primeiro passo para transformar patrimônio em oportunidade. Cidades que aprendem a narrar sua própria história por meio da arquitetura criam uma identidade única no mercado global do turismo, difícil de copiar e impossível de fabricar artificialmente. O Sul da Itália prova que a pedra mais antiga pode, ainda hoje, sustentar economias inteiras.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

